Thursday, December 18, 2025

Essa imagem que já virou a sintetização clássica do filme One Battle After Another (2025), de Paul Thomas Anderson, sozinha me parece bem mais dialética do que a relação entre maternidade e luta armada no filme. Podem elogiar One batle after another o quanto quiser, mas ali mora a velha história de que a mãe quando abandona a filha bebê é babaca e o pai quando assume a criança é fofo. Filmes devem portar personagens mães que decidem seguir na luta política, na guerra contra o fascismo branco, macho e hetero, abrangendo toda a complexidade que isso acarreta. Contudo, Paul Thomas Anderson opta por vilanizar a mãe que abandona a filha e trai todo movimento, revelando que uma heroína feminina não pode ser uma mulher preta mãe, sexy, e autônoma, muito ao contrário. Anderson, vilaniza Perfídia e a pune, tirando a personagem da narrativa, pois não há lugar para ela nem no movimento, nem na família... excluída, não lhe resta nem mesmo o lugar de espectadora do crescimento da filha (como o melodrama clássico já fez), lhe resta a invisibilidade. A personagem passa da objetificação da beleza negra que poderia ser tratada como resistência nas batalhas contra as opressões, para uma voz final de mãe arrependida. E lembremos que a filha não pode compensar a mãe, substitui-la, por favor, mãe e filha não são uma só. Sim, nesse sentido, Anderson dá um tiro no pé: reforça imagens de controle de gênero e raça, para não dizer outra coisa, que vem de um olhar branco, heteronormativo, para não dizer patriarcal-colonialista, aqueles caras nojentos (os trumps e bolsonaros) do Christmas Adventurers Club que ele quer ironizar.

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