Thursday, December 18, 2025

Die my love me emudeceu, me pego pensando nele várias vezes, porque, ao contrário da minha relação com a grande maioria dos filmes que intelectualizo e penso criticamente no ato de ver, fui muito impactada pelas cenas, cada uma delas, pela corporeidade, por uma força háptica daquela mulher na imagem, quase visceral. Não me importou muito porque ela agia como agia, selvagem, animalesca, infantil, frenética, mas o erotismo que vinha dela, um erotismo sem lugar, sem aceitação. Tantos filmes passaram na minha cabeça, godardianos, antonionianos, akermanianos, mas também lynchianos. Tantas atrizes, Monica Vitti, Cardinali, Bardot, Norma Bengell e fui levada pela performance inteira e múltipla de Jennifer Lawrence. Como continuar sendo depois de ser mãe? A corporeidade desencaixada, abjeta aos olhos sociais, só se dava longe do filho, com ele, o protocolo era seguido. Que mulher é essa que sou depois que tenho um filho? Que mulher é essa que sou depois que tenho um filho sozinha? Independente do pai ao meu lado, que já está ou vai se apagando (e foi fácil ver o vampiro sem ação), completamente fora da cena quase fora de campo. O que fazer com tudo que meu corpo é e foi, com toda a energia erótica que me atravessa, quando só posso maternar? Só depois de sorver e sentir o gosto dos movimentos de Grace (a graça, mais uma vez) que as questões surgiram para ressoar por que eram tão plenos de sentido para mim, quando obviamente desviantes aos olhares de todas e todos. Afinal, ela é mãe de um bebê, não é mesmo? Qual amor deve morrer? Obrigada Lynne Ramsay! Precisávamos encarnar Grace. Sincerly, Roberta Veiga

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