a. Enforced or self-imposed absence from one's native country. b. The condition or a period of living away from one's country. c. One who lives away from one's country. In Portuguese exile also means solitary place, solitude, isolation. For us +, correlated words / intuitions = prison, imprisonment, limitation; guidelines concepts / impressions = confinement, captivity, internment camp; implicated styles / sensations = minimalism, aesthetics of simplicity, scarceness, or just a list.
Thursday, December 18, 2025
Essa imagem que já virou a sintetização clássica do filme One Battle After Another (2025), de Paul Thomas Anderson, sozinha me parece bem mais dialética do que a relação entre maternidade e luta armada no filme. Podem elogiar One batle after another o quanto quiser, mas ali mora a velha história de que a mãe quando abandona a filha bebê é babaca e o pai quando assume a criança é fofo. Filmes devem portar personagens mães que decidem seguir na luta política, na guerra contra o fascismo branco, macho e hetero, abrangendo toda a complexidade que isso acarreta. Contudo, Paul Thomas Anderson opta por vilanizar a mãe que abandona a filha e trai todo movimento, revelando que uma heroína feminina não pode ser uma mulher preta mãe, sexy, e autônoma, muito ao contrário. Anderson, vilaniza Perfídia e a pune, tirando a personagem da narrativa, pois não há lugar para ela nem no movimento, nem na família... excluída, não lhe resta nem mesmo o lugar de espectadora do crescimento da filha (como o melodrama clássico já fez), lhe resta a invisibilidade. A personagem passa da objetificação da beleza negra que poderia ser tratada como resistência nas batalhas contra as opressões, para uma voz final de mãe arrependida. E lembremos que a filha não pode compensar a mãe, substitui-la, por favor, mãe e filha não são uma só. Sim, nesse sentido, Anderson dá um tiro no pé: reforça imagens de controle de gênero e raça, para não dizer outra coisa, que vem de um olhar branco, heteronormativo, para não dizer patriarcal-colonialista, aqueles caras nojentos (os trumps e bolsonaros) do Christmas Adventurers Club que ele quer ironizar.
Die my love me emudeceu, me pego pensando nele várias vezes, porque, ao contrário da minha relação com a grande maioria dos filmes que intelectualizo e penso criticamente no ato de ver, fui muito impactada pelas cenas, cada uma delas, pela corporeidade, por uma força háptica daquela mulher na imagem, quase visceral. Não me importou muito porque ela agia como agia, selvagem, animalesca, infantil, frenética, mas o erotismo que vinha dela, um erotismo sem lugar, sem aceitação. Tantos filmes passaram na minha cabeça, godardianos, antonionianos, akermanianos, mas também lynchianos. Tantas atrizes, Monica Vitti, Cardinali, Bardot, Norma Bengell e fui levada pela performance inteira e múltipla de Jennifer Lawrence. Como continuar sendo depois de ser mãe? A corporeidade desencaixada, abjeta aos olhos sociais, só se dava longe do filho, com ele, o protocolo era seguido.
Que mulher é essa que sou depois que tenho um filho?
Que mulher é essa que sou depois que tenho um filho sozinha?
Independente do pai ao meu lado, que já está ou vai se apagando (e foi fácil ver o vampiro sem ação), completamente fora da cena quase fora de campo.
O que fazer com tudo que meu corpo é e foi, com toda a energia erótica que me atravessa, quando só posso maternar?
Só depois de sorver e sentir o gosto dos movimentos de Grace (a graça, mais uma vez) que as questões surgiram para ressoar por que eram tão plenos de sentido para mim, quando obviamente desviantes aos olhares de todas e todos. Afinal, ela é mãe de um bebê, não é mesmo? Qual amor deve morrer? Obrigada Lynne Ramsay! Precisávamos encarnar Grace.
Sincerly, Roberta Veiga
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