Thursday, January 30, 2025

Estava tentando olhar para as coisas e parar de ver apenas que o tempo passou, o que é difícil demais quando começam a morrer seus ídolos um por um. Ontem foi Marina Colasanti, minha descoberta da literatura, o entendimento de que escrever poderia ser uma profissão e de uma mulher com esse nome ma-ri-na cola-santi... um colosso de nome de mulher. Essa minha passagem do saber ler para o saber que se pode escrever se deu com o livro dela Uma ideia toda azul, lançado em 1978 – foi o primeiro livro dos que eu tinha lido que não entendi direito, lembro que já tinha lido Camilinha no país das cores, A fada que tinha ideias e depois a A bolsa amarela, da Ligia Bojunga, mas o da Marina eu não entendi racionalmente, ainda assim eu não o largava , não parava de olhá-lo, nunca esqueci da capa, voltava em várias frases e relia, isoladas, uma por uma, lia palavras e parágrafos fragmentadamente... só bem mais tarde fui compreender que há outras formas de percepção de um livro pra além da história, da trama, do inicio-meio-fim... há a pura escrita há a junção das palavras. Hoje me lembro que essa descoberta da letra da palavra que emana sentidos e barra sentidos, que cria sensações e vibrações, veio com a escrita feminina de Marina Colasanti que me tocou sensorialmente pelo corpo e pela alma. Obrigada querida, por escrever durante sua vida e mudar o rumo da minha infância .

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