Sunday, May 18, 2025

O cinema escandinavo geralmente é mordaz, austero, cáustico, frio, para ser sarcástico. E The Ugly Stepsister Emilie Blichfeldt, não é diferente. Blichfeldttr recupera algo da indeterminação da valores e princípios iniciais da female Frankestein de Pobres Criaturas, mas vai além do flerte pornográfico do filme de Lanthimos. Também acentua bastante a acidez satírica a indústria da intervenção corporal para o embelezamento feminino, de Substância (no caso associada ao rejuvenescimento), porém em gestos mais excruciantes e sanguinolentos, e principalmente n mais nojoso que outro filme de Coralie Fargeat, o Vingança. A escatologia do apodrecimento inesperada na patética ambiência romântica de época que concede o tom inicial do filme, impõe uma dimensão física, carnal, visceral, das personagens que todo tempo é assombrado pela putrefação de um corpo humano no quarto ao lado. Porém diferente do roteiro desses outros filmes, a versão norueguesa de Cinderela, por toda construção arquetípica que subjaz ao conto de fadas, não institui um dispositivo capaz de criar um campo de forças, que gere outro debate sobre as relações entre mulheres, se não mediada pelo “príncipe encantado” e seu dinheiro, e que não a inveja entre elas. Ainda assim, é sem dúvida um exemplar do chamado “female body horror” que subverte e futuriza Cinderela a partir da abjeção pelo feminino e seu desejo de perfeição física custe o que custar. O putrefato, e exposição concreta e lancinante da dor para o embelezamento que chama a dimensão visceral, sangrenta, da mutilação do corpo, presta obvia crítica às intervenções corporais contemporâneas, principalmente as femininas e seus desastres não só estéticos, mas médicos. A saga pela beleza e o emagrecimento a qualquer custo com a violência e a mutilação, faz desses padrões uma pulsão de morte no filme. (em processo)